sexta-feira, 21 de maio de 2010

ANGOLANO LANÇA NO PORTO AVENTURA DE ESTUDANTE NO ESTRANGEIRO

O livro “Aventura de Estudante Angolano no Estrangeiro” do jornalista Augusto Alfredo foi apresentado na cidade do Porto, Portugal, numa edição da Corpos Editora.
A obra, escrita em forma de diário, retrata, em 250 páginas, a vida de dois estudantes que partem do país na expectativa de formar-se no estrangeiro, onde se confrontam com várias dificuldades, desde a adaptação cultural, a falta de notícias do país, na altura em guerra, bem como a saudade.
No acto de apresentação da obra a professora universitária e auditora do Instituto de Defesa Nacional do Porto Dárida Fernandes, sublinhou que quando se escreve um livro, com a intensidade deste, vivido em terras longínquas, da sua terra natal, algo de muito profundo pretende o autor despoletar e fazer permanecer no leitor. “Nesta aventura de estudante emergem histórias poema prenhes de ternura que são vividas pela saudade onde se instalam e que depois de as lermos, sentimos uma parte da felicidade que o autor semeia (…) Estas histórias são retalhos da vida e provocam em nós reflexões, plasmadas de forma significativa no sub consciente e com o sal necessário para saborear e construir pontes entre as gentes, entre os povos, numa roda sem fim”.
Os dois personagens principais Wandalika e Cativa, ao longo do enredo, vão desfiando o rosário dos seus conflitos e dramas em diálogos descontraídos onde estão em pauta os mais variados assuntos desde os corriqueiros do quotidiano, até aos desafios que perpassam o presente e futuro de Angola e do continente africano.
Para professora da Universidade Federal de Juiz de Fora – Brasil, Márcia Cristina Falabella que redigiu o prefácio, o livro de Augusto Alfredo, constitui “crónicas de uma viagem que trazem à superfície a outra face de uma história – dos combates internos à luta pela sobrevivência num território desconhecido.
Augusto Alfredo é jornalista graduado em Comunicação Social pela UFJF - Minas Gerais, Brasil, e autor do ensaio “Inquietações do Jornalismo” e do Livro-reportagem “Memórias Precoces - Luanda-Gabela, uma viagem de 30 anos”. O autor já foi editor de Economia do Jornal de Angola e professor de Teoria da Comunicação e Géneros jornalísticos no Curso de Comunicação Social da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Levaram-me até à Boca do Inferno!

Condução suave e mãos firmes segurando a direcção! Depois de ter estado no ponto mais Ocidental da Europa, desci a Boca do Inferno e lá encontrei pescadores e coleccionadores do exótico. Olhei perdido a paisagem inquieta. Regressei com relutância! Na hora da partida, o sobressalto. A esposa e a filha não apareceram para o embarque. Com maus pressentimentos na retina, corri tresloucado na passarela até à Boca do Inferno. “Não posso viver sem ti. A outra boca do Inferno apanhar-me-á…” Mas era apenas um engano que valeu suculentas gargalhadas, quando a caminho do jantar num cantinho do restaurante com o crepúsculo espreitando nas frestas das nossas almas. Imaginem! Há 50 anos, Lénia Godinho frequenta o lugar. Tinha 7 anos quando pela mão dos pais entrou pela primeira vez naquele lugar. Há 50 ela mantém uma relação de fidelidade com a equipa daquele restaurante. E o simbolismo cobre a mesa centrada por uma vela incandescente. O suspiro de gratidão substitui as palavras silenciadas, enquanto o gesto se decantava no fundo da alma de cada um! As palavras não dizem tudo! No inusitado lembro-me e busco a Ponta Padrão de Angola. Encontro-o no Soyo, província do Zaire, e tem registo da passagem de Diogo Cão por aí. Na província do Bié, está implantado o marco que assinala o centro de Angola. O Ponto mais a leste de Angola fica em Cazombo, Moxico. Rosa-dos-ventos! Aparente simples mas a geografia condiciona a cosmo visão, pois cada um de nós fala a partir de um ponto que pode ser geográfico, cultural, ético ou qualquer. Não há ponto sem azimute!

sábado, 24 de abril de 2010

No corredor da história!










No domingos passado, depois do passeio com a arquitecta Liseta Pinto, que nos conduziu nos corredores do Museu da Marinha, Palácio da Ajuda e do Forte de São Jorge, segunda, terça e quarta-feira viajamos até os Açores (Ilha Terceira e Ponta Delgada).
Quinta-feira, assistimos a manobras militares na Brigada Mecanizada, em Lisboa. Os tanquistas de ocasião experimentaram a dureza do ofício? Com ufanismo, ao tirarem o capacete, exibiram um sorriso insuspeito de muita felicidade! Os soldados olharam e corresponderam com complacência… Quem já viu não dance no meio !
Sábado, saímos em busca de outros ares com a cidade de Óbidos, Alcobaça e Mafra no trajecto. O Mosteiro de Alcobaça, os Castelos de Mafra e de Óbidos saltam dos livros e ganham corporalidade.
No Mosteiro da Alcobaça reaviva-se a lenda de D. Pedro e de Dona Inês morta por envolvimento num amor proibido. Ela foi assassinada por ordens do pai de D. Pedro. Cinco anos mais tarde após D. Pedro alcançar o trono ordenou a exumação dos seus restos mortais sendo coroada rainha. A cena comove a única mulher do Grupo, que se deixa fotografar ao lado do túmulo da Rainha! “Foi por amor proibido”, diz ainda sob comoção! Não há qualquer paralelismo com a cena de Romeu e Julieta de William Shakespeare. Essa é profundamente trágica!
Eu deixe-me fotografar junto ao túmulo do rei. Só para contrariar? Cada um sabe onde o sapato lhe aperta o pé. Assim ensina a sabedoria popular. Quer dizer, cada um sabe como ser feliz do seu jeito. O expedito colega e amigo Botelho sempre incansável diversificou na dose. Subimos e descemos o Forte de Óbidos, percorremos a catedral de Mafra e acabamos em casa de José Francos, homem da região cheio de engenho que deixou uma obra inigualável. “A aldeia típica regional do famoso oleiro e escultor José Franco é um verdadeiro museu etnográfico, que é digno de uma visita, pois ele concebeu uma réplica da aldeia em tamanho natural e miniaturas funcionais dos arredores de Lisboa”, lê-se num texto publicado sobre a sua obra.
No fim do dia, voltamos extasiados, valeu a pena! E ainda comemos e levamos para o hotel pão com chouriço comprado na Casa Museu de José Franco! Não podia ser melhor! Obrigado pelo carinho, amigo Luís Botelho!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cadê os Gambozinos?






Portanto, não há ilhas num mundo de interdependências crescentes! Não há qualquer descontinuidade possível entre nós. Multilateralismo!
No intervalo, vejo a ansiedade com que eles se convocam para a baforada urgente na varanda do edifício. Resignados procuram seu cantinho, pois é proibido partilhar nicotina com os não-fumadores!
Os rolos do fumo se perdem no ar como os sonhos! Vagamente, depois de cada baforada, vão conversando descontraídos sobre a vida, sobre as coisas… Dividem o olhar gaseado entre o relógio e o tamanho do cigarro. E aguça-se o prazer ao ver a cinza a aproximar-se dos dedos eriçados. Mas poupa-se, redobra-se o desejo, aprofunda-se o paladar! Quer-se prolongar o cigarro, mas em vão! É o prelúdio do fim! Depois a beata é afogada no cinzeiro! Soçobra! E regressam extasiados!
Durante as conferências gracejam feito adolescentes e há quem faça aviões de papel, quando a aula resvala na monotonia dos conceitos e na frieza do chumbo dos paradigmas! NATO, Geopolítica, geoestratégia…BRIC. CPLP, só Soft Power! Não há Cruz, nem Aquino por perto!
Na viagem, o cenário contagia! Hortênsios ornamentam o caminho enquanto o verde cobre as colinas onde vacas pastam calmamente! Da cratera do vulcão adormecido, brota um carpelo de esperança para fecundar a vida de açorianos.
A noite húmida, disfarçada pela luz do prolongamento dos dias de primavera, anima-se ao sabor de fermentos da amizade!
«Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade».
O meu amigo madeirense cantarola a música “Os Meninos de Huambo”, letra de Manuel Rui e música da Paulo de Carvalho.
Tropeça na memória, mas prossegue irreverente:
«Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia».
As meninas da mesa, respondem também com suas canções da infância. E todos juntos querem voltar a ser meninos!
Querem voltar a caçar Gambozinos.
- O que são gambozinos?
- São bichos, pretos e peludos. Tens de levar um saco, uma lanterna para poder apanhá-los.
E a rapaziada gargalha animada. A ignorância, insinua, na mente de um, os muitos bichos obsceno que inundam a noite. Mas sou homem adulto, feito para durar, vou gerindo e ingerindo o cardápio.
Na onda, alguém queixa-se de dores no peito. Contorce-se, ergue-se mas não desiste. Procura o maço de cigarros e convoca a sua turma para a baforada colectiva.
O Hermínio, não o Maio, mas o Matos; Hermínio, não o Engenheiro de Benguela e o Comandante do Regimento 13, mas o Comando, o seu nome condiz com o personagem! Mesmo com-dor, não arreda pé! Ainda bem, pois equipa estaria desfalcada. Seria uma ausência de mais de 100 quilogramas no equilíbrio do grupo CDN-10!
E a apanha de gambozinos marcará sempre o ritual de passagem da adolescência para a juventude! Essa juventude que desejo para todos florescente e eterna!
«Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar»
Kamba-diami , cadê os Gambozinos? Meu computador corrigiu Kamba-diami e cadê! Ainda alguém procura por um acordo ortográfico?


Eis-me: Alfredo Mazungue

domingo, 11 de abril de 2010

Vida!


- Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido... (Confúcio)

sábado, 10 de abril de 2010

Laço inoxidável!


Antes balão acima das nuvens flutuando, depois é-se largado como objecto inanimado à grande altitude. Cai livre de amarras! Corolas primaveris entapetam o gume da imaginação.
O prazer é driblar a morte e gozar quinze segundos de queda livre antes de tecer a fatalidade de um pára-quedas encravado. São aulas avulsas de pára-quedismo servidas ao sabor de manjares e licores. Amores e humores à Molière longe de doenças imaginárias!
No rescaldo da noite, as lições sobrevivem afeiçoadas pela pluma do travesseiro. Na subtileza da vida, os ínfimos gestos se foram empilhando em cumplicidades, que a rotina se encarregou de cristalizar. Confidências perdem o rótulo. O tempo-azimute separou o cascalho do caminho, o sorriso acanhado se converteu em gargalhadas de cristal que extraíram olhares do tilintar de mesas vizinhas. Simples soslaio de bisbilhotices de quem formatou emoções e deixou-se ficar no frio do betão da cidade grande, onde as estrelas se confundem com as luzes da urbanização!
Na brisa, o engodo do tempo, quando a noite esquecida avança na inércia da embriagues do crepúsculo. Como pára-quedistas, aqui estão gozando o tempo efémero do ócio antes do desenlaço. Depois pousarão são e salvos em terra firme e retomarão a vida sob o peso da gravidade. E no escaninho o registo na lápide que fica para a posteridade! Foi uma noite de prazeres, margaridas, balões e pontes! O temporal e a erosão mostrar-se-ão incapazes de apagar as pegadas.
Passou por aqui o CDN-2010!

quinta-feira, 25 de março de 2010

A verdade das crianças!



OS OLHOS DAS CRIANÇAS VÊEM UMA REALIDADE QUE OS ADULTOS IGNORAM!